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Dama Boa Não Pensa… Por: Marco Antonio Perna

Excelente texto do jornalista Marco Antônio Perna da Agenda da Dança de Salão, que todas as damas deveriam ler.

Trocadilho infame, tão infame que não resisti. O título correto seria “Boa Dama Não Pensa, Sente.”. Boa dama, claro, é aquela dançarina com quem todo mundo ama dançar. Pode não ser a mais bela, a mais gostosa, a mais leve ou mesmo a que parece dar show com brilho de estrela. Boa dama é aquela que mostra que realmente sua namorada ou esposa não dança nada, pois tudo o que você não conseguia dançar, com ela você dança. Não depende de você conduzir bem ou não, qualquer que seja o seu nível você vai amar dançar com ela. Ou ter medo, claro, você não pode fazer feio.

Mas, por que ela é boa dama ? Porque ela não pensa, ou parece que ela não pensa no que está dançando. Se você conduz bem vai fazer tudo que nunca imaginou sem ter nunca antes dançado com ela.

Já a dama que pensa, pensa que sabe dançar, pensa que em determinada posição de um movimento de passo vai se seguir outro movimento e já se adianta sem você conduzir. Muitas aprendem uma sequencia de passos e caso você não vá para o passo seguinte da cartilha dela, ela te olha de cara feia e nunca mais dança com você. O problema é que existem muitos professores de dança que ensinam sequencias que no fundo são coreografias. Pois, seguem ininterruptamente os movimentos e o cavalheiro não aprende condução e a dama não aprende a sentir a condução.

Uma dama dessas só vai realmente aprender a dançar após ser jogada as feras, digo ao salão de baile real, onde vai dançar com cavalheiros de várias escolas de dança diferentes e mesmo da escola da vida.

Mas, mesmo que aprendam, a boa dama tem na verdade um talento natural que o treinamento só aperfeiçoa. Se ela não tem talento, com muito treino, os cavalheiros vão gostar de dançar com ela, mas não vão amar.

Claro que tudo depende também do encaixe físico do casal. Uma dama alta deve dançar melhor com um cavalheiro alto e assim por diante. Obviamente toda regra tem exceção.

Outro ponto importante é a aceitação do que você é capaz. Certa vez uma dançarina com quem eu adorava dançar tudo e com quem todo mundo amava dançar me perguntou porque a Renata Peçanha era melhor dançarina que ela… Eu e o outro dançarino que estava ao meu lado tivemos que ficar calados e respondemos abobrinha, tipo: a Renata é mais alta e chama mais atenção. No que a moça respondeu: Não, a Renata tem a minha altura. Silêncio geral e nos despedimos em seguida. Na verdade com relação a ser boa dama, as duas são excepcionais. Porém a Renata tem um brilho de palco raro e nossa amiga, que era até bonita, não tinha brilho algum. Hum, difícil entender o que é brilho de palco, estrela, carisma ? Pensem no Carlinhos de Jesus e vocês entenderão.

Em outra ocasião, outra amiga com quem eu amava dançar samba de gafieira e mesmo bolero, me perguntou porque determinado professor de dança a convidava para dançar samba e parava de dançar quando começava um zouk e nunca nenhum profissional a tirava para dançar zouk. E ela afirmava estar dançando muito bem e já fazia aula de zouk tinha uns dois anos. Novamente situação difícil para uma resposta honesta. No caso ela tinha uma rigidez maravilhosa para dançar samba e mesmo no bolero essa rigidez não atrapalhava, dava certa segurança no movimento. Não confundam com dura ou pesada. Porém, essa rigidez tão benvinda no samba de gafieira não era nada confortável no zouk com todos aqueles passos supermaleáveis. Foi o que eu falei de maneira educada, mas claro, ela não acreditou. Provavelmente ela deve ter achado que ainda tinha que fazer muita aula.

Voltando ao tema condução e boa dama. Volto a afirmar que a boa dama não pensa. Ela sente a condução e faz determinado passo sem que tivesse pensado em fazer. Esse é o caso ideal. Boa dama e um cavalheiro com boa condução.

Já comentei em outros textos meus e mesmo em muitas conversas com profissionais que se um passo não for feito por uma dama conduzida por um bom cavalheiro com quem ela nunca dançou antes, esse passo não é bom e vai ser esquecido com o tempo. O tipo de passo que não passa nesse teste com certeza só é feito por alunos ou profissionais de alguma academia e com pessoas de outras academias eles tem que parar e ensinar o passo na hora. Esse tipo de passo acaba sumindo com o passar do tempo e volta quando algum professor resolve ressuscitá-lo para passar o tempo numa aula.

Lembro-me de uma ocasião dançando com uma exbolsista do Jaime Arôxa, que era casada com um DJ. De repente ela me para e me diz que determinado passo eu tinha que conduzir de determinado jeito. Claro que seria muita falta de educação fazer isso em um baile, mas a gente estava numa área da academia, perto da cantina, onde todos treinavam (era a melhor parte da academia). Eu expliquei que estava meio desatento, mas que a condução que ela queria e que tinha sido ensinada não estava correta e que aquela condução na verdade era um código para ela entender que deveria fazer tal movimento e não era uma condução real. Ela até aceitou mas disse que naquele movimento só era possível assim. Como ela a partir desse momento estava pensando no passo não dava mais para fazer nada e fiquei de mostrar em baile ou noutro dia quando ela menos esperasse.

Meses ou semanas depois, dançando nosso samba, comecei a não seguir sequencia alguma para confundir bem ela e parti para aquele famigerado passo entrando de maneira diferente nele. Em determinado momento travei seu corpo com minha mão esquerda pressionando a esquerda dela contra seu corpo, e com a mão direita em posicão mais baixa em suas costa fiz um movimento “ondulado” para frente. E isso com ela vindo em movimento rápido e parando imediatamente. Ela não teve o que fazer senão levantar sua perna direita chutando em frente. Claro que coloquei o peso dela em sua perna esquerda. Perguntei então: sentiu vontade ou foi um “código” para fazer o movimento ? No que ela responde que sentiu.

No caso é claro que ela chutar em frente é uma coisa coreografada, mas mesmo que se esteja dançando com alguém que não conhece esse tipo de movimento, essa pessoa vai movimentar a perna para frente, mesmo que apenas um pouco com essa condução real. Já com a condução ensinada quem não conhece vai ficar parada. E na condução real ela vai ficar com a vontade e movimentar a perna. Se dama conhecer o movimento vai chutar involuntariamente e com os floreios que conhece caso tenha rapidez no pensamento após o início do movimento.

É até interessante notar que a boa dama não pensa antes de iniciar um movimento, mas aquela que faz os movimentos bonitos e coloca floreios, com certeza consegue pensar instantaneamente após o início do movimento para conseguir embeleza-lo. Talvez essa fosse uma boa resposta para a pergunta sobre como a Renata Peçanha dança. E no caso dela é possível que ela também apenas pareça que não está pensando antes do passo.

Rio de Janeiro, 06/02/2011

Marco Antonio Perna

http://www.dancadesalao.com/agenda

Publicado no jornal Falando de Dança 41 de março de 2011. AQUI!

 

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Uma resposta para “Dama Boa Não Pensa… Por: Marco Antonio Perna

  1. Sr. Marco Perna,
    Concordo em parte com algumas de suas idéias. Idéias essas bem confusas, repletas de exemplos sem fundamento.
    Infame mesmo são alguns de seus comentários. Principalmente os que você de forma pouco sutil julga as damas que você conhece e as expõe. Você até dá dicas para sabermos quem são, não é mesmo? Fulana, ex bolsista, de tal academia, esposa de um DJ, por exemplo. Pouco discreto e muito deselegante. Comentários que certamente não se espera de um cavalheiro educado.
    Os seres humanos estão em constante aperfeiçoamento e são diferentes uns dos outros, não é mesmo? Esse pensamento é complexo e se abre para uma longa discussão…esse não é meu objetivo. Mas quero registrar que acredito que somos humanos e podemos melhorar o tempo todo.

    Acredito, ainda, que uma dama que você julgue não ser tão boa dançarina hoje poderá amanhã dar um show de aperfeiçoamento e persistência. Talvez ela não tenha o “talento natural”, apreciado por você, mas basta treinar o ouvido, entender as batidas da música, compreender o código/linguagem da condução, saber seu papel e se deixar levar, é possível fazer bonito sim!
    Acredito mesmo nisso! Eu já vi damas e cavalheiros melhorando constantemente na dança!
    Como você se incluiu no seu artigo, tomo a liberdade de citar e imaginar que você deva ser um cavalheiro sem igual, daqueles que conduzem uma dama até fazer com que ela não “pense” enquanto dança.Imagino, ainda, que você seja um cavalheiro que dance conforme a música e siga o nível de sua dama, que dance com a alma e não se prenda em passos e malabarismos para se mostrar feito um pavão para a platéia da academia. Imagino que você seja um cavalheiro que sinta um amor tão grande pela dança que não importa o lugar, a dama e a música, pois sua alma se alegra enquanto faz o movimento.
    Espero que seja isso porque se não estou escrevendo para alguém que definitivamente não merece minhas observações. Não merece sequer meus comentários.
    O cavalheiro que ama o que está fazendo é perfeito para qualquer dama, até mesmo aquela que pensa e não sente, enquanto dança. Ele respeita sua dama, ele dança para ela e com ela, ele acompanha seus passos, mesmo quando não sabe fazer muitos passos ainda!
    E abrindo um parágrafo só para falar dos excelentes cavalheiros, vale ressaltar que eles são os mais cotados nos bailes principalmente porque dançam com qualquer dama e fazem elas flutuarem.Conseguem extrair o que existe de melhor e não ficam escolhendo as damas extraordinárias.
    E fazendo uma analogia entre a dança de salão e um idioma, por exemplo, a dança deveria ser um idioma universal. Deveríamos entender todas suas palavras enquanto dançamos, entretanto, existem pessoas que falam gírias, falam rápido, outras gaguejam e assim por diante. Nós damas que “não podemos pensar”…teremos que decifrar as frases mal colocadas dos nossos excelentes cavalheiros.
    Porque será que os casais se entendem melhor? Porque treinam mais seus dialetos. Porque conversam muito e porque treinam muito!
    Sabe Sr. Marco Perna, em um baile encontramos de tudo um pouco. Cavalheiro excelentes, damas com talento e treino e, principalmente, “seres humanos” que pensam e sentem e que estão em constante aperfeiçoamento.Para isso é preciso se permitir aprender, observar e treinar.
    Tenha cuidados com os seres humanos em constate aperfeiçoamento. Ninguém em um baile está pronto, Sr. Perna, seja mais humilde e abra sua mente e seu coração.
    Um recadinho para as lindas damas: vamos treinar, pergunte o que significa esse e aquele movimento/condução, se inquietem, sintam a música, sejam uma dama que persistente, insista e aprenda…assistam vídeos, ouçam músicas variadas…dancem com a alma e tentem entender os dialetos que ouvem por aí! Façam seu melhor!
    Sr. Perna, espero te encontrar em um baile um dia desses…seria bom confirmar que você é um excelente cavalheiro ou se é um Perna de pau!
    Saudações,
    Renata Moreira

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