Galeria

Parabéns à todas as mães!!!

O Dança Catarina aplaude hoje, todas as mães pelo seu dia!

E presta uma homenagem através de um texto lindo, escrito especialmente para este dia 08 de maio de 2011, pela pessoa que tornou possível estar aqui escrevendo diariamente para vocês…D. Lélinha, minha mãe… (obrigada por tudo, mãe!)

PARABÉNS A TODAS AS MÃES DO MUNDO!!!

 DA MÃE…

A primeira crônica que escrevi foi publicada no Jornal “Aurora” do Colégio São José de Tubarão, edição de maio de 1957 e se intitulava Dia da Mãe. Vinte e cinco anos depois do presidente Getúlio Vargas ter oficializado a data no Brasil. Não era bem uma crônica e sim uma redação escolar.

Cursava a quarta série do curso  primário. O jornal “Aurora” tinha cara de jornal de gente grande com doze páginas e era impresso mensalmente na gráfica do seu Manoel Aguiar, proprietário do jornal A Imprensa. Recordo que escrevi um pequeno texto falando sobre o significado do Dia das Mães e a história de sua criação, que eu lera dias antes na Revista Reader´s Digest, uma publicação que apareceu nos Estados Unidos em 1922 e que chegou ao Brasil em 1942, sendo batizada e popularizada  com o nome de Seleções. Dona Robélia Faraco, professora e nossa vizinha de porta, era quem me abastecia com a revista Seleções e com livros de sua biblioteca.Desde o Tesouro da Juventude, os clássicos como Alexandre Dumas, Júlio Verne, Cervantes, José de Alencar, Machado de Assis ou os romances de Pearl Buck que eu devorava com o mesmo prazer.

Aquela história de como uma filha, a americana Ana Jarvis, triste com a perda da sua mãe, lutara anos a fio para que fosse criado o Dia das Mães, primeiro no estado da Virgínia Ocidental e depois incorporado oficialmente ao calendário dos Estados Unidos em 1914, me intrigara. Não, pela eleição de um dia para reverenciar e  homenagear todas as mães,  e sim,  pela decepção de sua criadora ao ver aquele dia tão especial desvirtuado de sua finalidade primeira e transformado num dia lucrativo do comércio no mundo todo. Demonstrar o sentimento de amor à mãe passou a ter um preço e contra isso Ana Jarvis se rebelara.

Eu também, na altura dos meus dez anos contestei a criação de um Dia Da Mãe que entre corações vermelhos de expressão do amor filial fazia a alegria dos  comerciantes. Afinal, por que escolher um dia do ano para reverenciar a figura da mãe?  Foi a pergunta que eu formulei naquela singela redação escolar, contestando o hábito já arraigado de comprar um presente para a mãe. Pois, todo dia é dia de mãe. “O amor de uma mãe é diariamente novo”, afirmou certa feita a própria Ana Jarvis em sua luta pelo reconhecimento do papel desempenhado pelas mães.

O tempo deu suas voltas. Sem deixar de ser filha, passei ao status de mãe e não demorou muito para que eu recebesse, numa letrinha infantil, desenhada por entre linhas tortas, os coloridos cartões da Clarisse, do Murilo e da Caroline. Causavam uma imensa alegria e muita emoção recebê-los (e ainda causam), como aquele  cartão do

Murilo, em forma de coração, que descrevia a sua mãe dizendo: “ela não é  nem gorda,nem magra, um pouco alta e um pouco baixa. Um pouco braba. Ela é morena de olhos claros e verdesriscando no cartão a figura da mãe que ele imaginara ou o da Clarisse escrevendo que tinha saudade de um “colinho” e o da Carol dizendo sem muitos floreios: eu te amo,mas não podia ser uma mãe normal? Uma queixa à mãe que trabalhava fora e não sabia fazer um bolo de chocolate como as outras mães.

Foi com os meus filhos que aprendi a mensagem da Ana Jarvis, uma mensagem que não vem embrulhada em papel de presente e não se encontra em nenhum shopping.

Mãe é presença absoluta em nossa vida. Uma presença que não se esgota, nem depois que ela parte. Fica retida e perpetuada na memória. A bem da verdade, com o passar dos dias, meses e anos a gente vai encontrando traços da nossa mãe que partiu no jeito de virar a cabeça de uma neta, na morosidade de se arrumar de uma sobrinha no gargalhar sonoro  ou no inesquecível timbre de voz que de repente soa ao teu lado e  nada mais é do que a voz da filha. O tom da voz, os passos, os jeitos e trejeitos, detalhes que passavam despercebidos e que agora fazem o maior sentido. Até pequenas manias que muitas vezes incomodavam passam a ser lembradas com uma saudade imensa que chega a doer.

A mãe continua fortemente presente para sempre e como as sementes germinam na primavera numa nova roupagem.

Ela está dentro do coração, no reconhecimento do ser mulher e num papel que vai além dos laços de sangue. São laços de um amor profundo, de afirmação do ser filho e do ser mãe.  

 Vamos combinar que temos muito a celebrar.

  Pois que assim seja – um Dia só Da Mãe.


 Lélia Pereira da Silva Nunes,

socióloga e escritora



Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s