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Vamos rodar o salão! (por Milton Saldanha)

O nosso amigo e grande jornalista, um dos maiores divulgadores e incentivadores da dança de salão, editor do Jornal Dance, com a maestria das palavras que lhe é tão peculiar discorre sobre um assunto de extrema relevância para nós dançarinos, a importância da ronda no salão. Lamentavelmente esse assunto costuma ser ignorado, tanto por alunos avançados, intermediários e iniciantes quanto, e muito mais grave, por professores que esquecem-se de que o objetivo de se aprender a dançar é para nos divertimos nos bailes. E, para que esses bailes sejam realmente prazerosos um dos pontos chaves, muito mais do que a habilidade dos dançarinos, é a fluidez na pista.

Não há nada mais frustrante do que você querer evoluir no salão e não encontrar por onde, baile travado é horrível!!!

É também uma questão de bom senso, respeito, educação e civilidade!

O texto do MIlton refere-se a São Paulo, mas o problema é exatamente o mesmo, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Paraná, em Goiás, Brasília e por ai a fora… infelizmente educação não é o forte do povo brasileiro e isso se reflete nos bailes.

E já que estamos há 3 dias do Baila Floripa, onde os bailes, com certeza serão grandiosos, o momento é mais do que propício para lembrar e pedir encarecidamente: Professores ensinem a seus alunos! Deem o exemplo!

“VAMOS RODAR O SALÃO!

 Todos nós desejamos a evolução dos bailes praticados em São Paulo, já que isso é nossa paixão e ocupa grande parte do nosso tempo de lazer.

Observa-se uma evolução gradual na qualidade técnica, ainda bem, senão estaríamos dançando como há 20 ou 30 anos. Ao mesmo tempo, em alguns aspectos, nossos bailes se tornam caóticos. Alguns até regrediram, porque ao contrário de antigamente, poucos rodam o salão.

Dança é, acima de tudo, deslocamento. Nosso eterno mestre Fred Astaire já ensinava isso, sem falar, apenas dançando. Revejam seus filmes.

Quem não se desloca, não avança na pista, jamais será considerado um grande dançarino. Imaginem, por exemplo, um balé onde todos ficariam fazendo passos e giros no mesmo lugar, sem ocupar a plenitude do palco. Seria horrível. Comparando com o baile, é a mesma coisa. O baile precisa ser dinâmico, como é um grande balé, e isso significa rodar o salão!

Mas isso pode mudar. Depende só de cada pessoa. Por exemplo, contendo um pouco a emoção e prestando um pouco mais de atenção no entorno, dentro da pista do baile.

 Sugerimos reflexão sobre alguns itens que podem representar o baile dos sonhos (ou dos pesadelos) de todos os dançarinos:

  • A ronda do baile é a “fila” de dançarinos que percorre a periferia da pista, rente às mesas. Como geralmente não cabem todos, cria-se uma segunda ronda, que circula ao lado, por dentro, claro. Se preciso, uma terceira ronda. Tudo sempre no sentido anti-horário.
  • Por essa razão, para não atrapalhar a ronda, ou rondas, não se dança em diagonal, ou seja, indo e voltando da ronda para o centro, e vice-versa. O correto é estar sempre dentro da linha do baile, seguindo em linha reta e ocupando apenas o espaço necessário aos seus movimentos.
  • Em baile lotado os passos são curtinhos, não há outro jeito. É claro que fica mais difícil, e é isso que mostra quem realmente tem habilidade. 
  • O centro da pista fica sugerido a iniciantes e a pessoas que não querem circular, preferindo fazer passos e adornos no mesmo lugar.
  • O dançarino consciente tenta o tempo todo não atrapalhar nem retardar a marcha da ronda.
  • O grande baile é aquele que tem uma ronda bem definida e visível, e que roda bastante.
  • O péssimo baile é o travado, que obriga os bons dançarinos a ficar girando no mesmo lugar porque não conseguem evoluir na pista.
  • O baile sempre avança, jamais recua. Jamais se dança em marcha a ré. Por favor, nem um único passo!(Exceto havendo a certeza da existência de espaço naquele momento, e mesmo assim com passo curtinho, porque pode surgir outro casal). Esse horror, de caminhar em ré, infelizmente é praticado até por alguns profissionais de dança, que deveriam primar pela demonstração de conhecimento e principalmente bom exemplo.
  • Moças, aquele pé alto, em voleios, com salto, é um tremendo perigo. Esperamos que nunca aconteça um acidente grave, ferindo alguém. Compete ao parceiro não conduzir voleios em pistas lotadas. E elas, com bom-senso, devem inibir isso, se preciso travando o movimento. Nenhum passo, jamais, compensa qualquer risco de acidente.
  • Moços, usem vossos olhos, observando o caminho. Não projetem a dama sobre o casal da frente. Isso é muito desagradável. (Dizem que um certo personal de SP costuma dançar de olhos fechados. Dá para acreditar num absurdo assim?)
  • As damas podem dançar de olhos fechados, mas para isso precisam confiar na capacidade de condução do parceiro.
  • Respeitar o espaço dos demais dançarinos será sempre uma demonstração de civilidade e educação. O verdadeiro dançarino  zela pela proteção da sua dama, sem expô-la a qualquer tipo de risco.
  • Quem realmente conhece dança, sabe que o fluxo do baile deve variar conforme a música. O andamento musical de um tango lento é completamente diferente de um vals, samba ou forró, por exemplo. Uma música muito rápida não comporta pausas longas e adornos, porque a música é contínua. Logo, o baile tem que rodar. Mas tem que rodar também na música lenta, senão se torna muito chato.
  • Outros cuidados são importantes, como a maneira de entrar na pista, respeitando o espaço de quem está passando ou se aproxima; não deixar cadeiras no caminho, ao levantar; não ocupar a pista para bate-papo ou tirar fotos.
  • Nada disso é novidade. São padrões antigos e adotados mundialmente pelos bailes de qualidade. Uns mais, outros menos. No que São Paulo puder melhorar, será sempre lucro, do qual todos poderão tirar saudável proveito.

 

Haveria mais coisas a comentar, mas vamos ficar por aqui, para não alongar. Cada um de nós é responsável pela qualidade do baile, e isso significa o principal:

RESPEITAR A RONDA E…

 RODAR O SALÃO ! “

Milton Saldanha

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