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Dançar de Rosto Colado

imagesDançar de rosto colado é uma das sensações mais gostosas que se tem, ainda mais quando o parceiro (ou parceira) é uma pessoa especial, parece que naquele exato instante o tempo torna-se infinito na duração de uma canção, o coração acelera e um misto de felicidade, paz e excitação invade-nos a alma. Mas dançar de rosto colado, nos dias de hoje já virou saudosismo, coisa de nossos avós, nossos pais ou de quem já dobrou a casa dos trinta e lá vai bolinha. O prazer e o desafio da conquista, da sedução de uma forma embora muito mais ingênua, também muito mais gostosa e marcante, momentos que constroem nossas memórias afetivas e se perpetuam no tempo em nossas lembranças, muito diferente do prazer instantâneo, da pegação exponencial onde o rapaz ou a moça nem lembram mais quem foi o primeiro que “pegaram” naquela noite.

Surto de romantismo em uma segunda-feira cinzenta e gelada? Talvez… Mas um sentimento que quem é adepto dos bailes de dança de salão pode reviver e experimentar, ainda que em tempos de funks e popozudas.

Ainda é possível dançar de rosto colado em meio a um forró, um bolero, umrostocolado1 tango, um samba mais lentinho, desfrutar do prazer indescritível da dança a dois é algo que hoje apenas os praticantes da dança de salão sabem vivenciar. Acho que esse é um dos motivos para o aumento do número de praticantes nas academias, os mais velhos, talvez, em busca de um saudosismo perdido no tempo e os mais jovens, fascinados por esta nova sensação de prazer, de sedução que não podem encontrar nas baladas eletrônicas pelas “nights da vida”.

Encontrei o texto abaixo, de Rogério Mendellsk, entre minhas “memórias virtuais” fazendo uma faxina em meu HD e o transcrevo para vocês, para quem viveu, para quem não viveu este tempo e para todos nós felizes praticantes da dança de salão que podemos vivenciar estes momentos a cada baile.

Boa leitura!

                “Rosto colado é coisa que os jovens de hoje não conhecem como preliminares de um ato de sedução. 

                Nossos bailes de antigamente (que palavra dolorosa!) os jovens rastreavam o salão em busca da garota ideal para iniciar um romance.

Caso ela fosse localizada na mesa com os pais, nossas pernas tremiam. Uma cuba libre talvez fosse o combustível para encorajar o ato de atravessar o salão e chagar a mesa com o convite formalismo “vamos dançar?”.

                O “sim” dela poderia significar que também queria dançar, pois os olhos já tinham se cruzado um momento do baile, mas poderia ser apenas o “sim” formal para não dar um “cano” no rapaz audacioso. Neste ultimo caso, a regra que a jovem aprendera em casa com a mãe casamenteira, era dançar no máximo três para não significar que havia outro interesse e não ser o da boa educação. No entanto, se “pintasse um clima” ai Jesus. – ai a dança se prolongaria por todo baile e, na hora exata, os rostos se colavam e a sedução começava com uma conversa de ouvido.

                O ato de seduzir transpirava-se numa enciclopédia romântica que valia até mentiras ingênuas. Corte para 2014. Não há mais rosto colado, não há mais bailes, os conjuntos melódicos são apenas boas lembranças e os clubes estão fechando seus salões que tinham e suas boates para os jovens. O beijo roubado, quando as luzes diminuíam de intensidade, era, talvez, o único da noite.

                Hoje, as garotas ficam apostando quem beija mais garotos numa noite e volta julgar o ato mais sublime de um inicio de conquista. O baile funk, mais que uma reunião dos jovens, é um convescote de traficantes em busca de novos babacas para o inicio de uma vida de vícios. Vale o mesmo para a festa rave e os incidentes estão ai na imprensa para que o “colunista” não passar por um “velho recalcado”.

                A sedução se transformou em agressão sexual, para ambos os lados. Sem crack, sem pó, sem baseado, não há sequer uma aproximação de pessoas de sexo diferentes com “rosto colados” nem mesmo que o DJ aposta em algo lento para descansar os dedos. Não se dançam mais, os requebros e os pulos substituíram os passos cadenciados. O barulho do bate estaca acabou o dialogo. Sem dialogo não há sedução. Fim de papo.

                Esta bem, somos velhos quando falamos em “rosto colados”. Mas ninguém pode roubar de nossa memória um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança, fazia-nos flutuar pelo salão com pessoas especiais. E quem não dançou uma vez na vida de “rosto colado” não sabe o que perdeu – Rogério Mendellsk.

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