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Dança dos Famosos – Afinal o que se avalia?

Apesar de ter jurado que não tornaria a perder meu tempo com o quadro “Dança dos Famosos” exibido durante o programa do Faustão, este ano voltei a relancear meus olhos pela tela em consideração e também curiosidade pela participação de alguns amigos e conhecidos. E como na final deste ano estariam meus dois ritmos preferidos, Tango e Samba o coração falou mais alto.
O primeiro ritmo apresentado pelos casais finalistas, foi o Tango, Osvaldo Zotto deve ter se revirado no túmulo. O Tango padrão Globo é de chorar, falta técnica, falta abraço, falta caminhada, falta respiração, leveza, enfim falta tudo e sobram caricaturas. Mas o que se esperar de quem nunca estudou o ritmo e tem meras duas semanas para apresentar-se? É como as tais coreografias de casamento, o público leigo adora, cheio de dramatizações, caras e bocas. Levando todos estes fatores em consideração e assumindo que o quadro é apenas um entretenimento de massa, as apresentações foram até bem razoáveis com destaque para o casal Patrick Carvalho e Paloma Bernardi que conseguiram passar uma das coisas mais importantes do Tango, a emoção, a cumplicidade, a entrega, a platéia explodiu em aplausos e ao olhar para a minha mãe, que nada entende de dança, percebi seus olhos rasos de lágrimas, emocionada com o que viu.
Patrick me surpreendeu, um dos melhores representantes do samba, criador da incrível Cia Dom, estava totalmente tranquilo e seguro, passou essa confiança par a sua dama e o resultado foi uma apresentação que se não foi tecnicamente perfeita foi equilibrada com movimentos bem acabados e envolventes.
Quando o ritmo passou para o samba, tive a tola esperança de que apesar de tudo apontar para que os vencedores fossem o casal formado pelo famoso e pela bailarina do Faustão, a maestria do professor Patrick poderia mudar o rumo dessa tragédia anunciada. Ledo engano.
Indiscutivelmente Patrick e Paloma formavam a dupla mais qualificada, técnicamente falando. O samba de gafieira dançado pelo outro casal, Marcelo e Raquel, foi no máximo um intermediário e olhe lá, pesado, pernas abertas, fora de ritmo, uma pegada horrível, dei pulos no sofá e mais ainda ao ouvir o tal júri artístico elogiando sem contar a total incoerência do juri artístico que tirou pontos de Patrick e Paloma por duas pegadas e se calou diante de uma apresentação cheia de aéreos, movimentos de forró e absolutamente nada de samba, exceto dois “Romários” e um “pica-pau” muito mal executados. Mas enfim, já devia ter entendido há tempos que a Globo usa o quadro para eleger os seus queridinhos e dar espaço para seus protegidos.
Para quem não viu e para que já viu se deliciar com a linda apresentação da verdadeira gafieira nos pés de um dos maiores mestres do samba, o professor Patrick Carvalho e sua linda Paloma Bernardi.
Que a Dança dos Famosos colabora para a difusão da dança de salão, é indiscutível, mas a que preço? A quantidade de asneiras e bobagens ditas durante o programa é um tremendo desserviço à dança. Outra coisa que é muito difícil engolir, por que não é dado espaço para as mulheres profissionais da dança de salão? As bailarinas do Faustão que nunca fizeram uma aula de bolero na vida colaboram ainda mais no somatório de erros e barbaridades apresentados e isso acaba também por desequilibrar os competidores, pois como elas podem ensinar algo que nunca aprenderam? A bailarina Raquel me causou o que chamamos de vergonha alheia, não finalizou nenhum dos movimentos, dançou com as pernas abertas, joelhos dobrados e foi literalmente carregada pelo famoso!
Para todos que tem uma noção mínima de dança de salão a cada edição deste quadro fica a sensação de impotência diante da poderosa Globo, onde o que impera não é o talento e a qualificação técnica mas sim os interesses e benefícios próprios da emissora.
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Projeto 1717 – Espetáculo de Dança busca o seu apoio através de um “clique”.

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Os talentosíssimos bailarinos Alexandra Klen e Ricardo Tetzner estão sempre a procura de inovações e sua criatividade parece mesmo ser ilimitada! 1771 – Espetáculo de Dança é o mais novo fruto deste talento criativo que está buscando incentivo por meio … Continuar lendo

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Hoje tem Milonga Carlos Gardel no Clube dos Oficiais

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Uma das melhores noites dançantes, a Milonga Carlos Gardel, já entrou definitivamente para o calendário dos melhores eventos para se dançar a dois no sul do Brasil! E os tangueros já podem preparar sus tacos para riscar o salão neste … Continuar lendo

Pelo futuro, por Jaime Arôxa

Texto maravilhoso do grande mestre da dança de salão brasileira, Jaime Arôxa!

Publicado originalmente no Social Samba (AQUI) do nosso parceiro Thiago Castilha. Uma verdadeira lição em vários tópicos para todos os profissionais da dança a dois. Para ser lido, relido, refletido e, principalmente, entendido e incorporado no dia-a-dia dos profissionais e de quem vive a dança como sua arte de vida.10577030_891275750886506_1607037977877323483_n

Relutei em escrever este artigo, apesar de ter a impressão que não posso mudar o rumo das coisas, mas com a história que tenho na dança de salão, não posso ficar omisso, assistindo este momento difícil que a dança vive. Sei que me exponho a opiniões contrárias e também não quero levantar nenhuma polêmica, digo o que penso e o que vejo, e o faço por amor e preocupação com esta arte maravilhosa que tanto ajudei a desenvolver e quero que continue, se possível para sempre.

Acredito que a maioria sabe o quanto viajo e vendo dança pelo Brasil afora. Nessas viagens tenho escutado muita 163320_393119134115083_208067533_nreclamação de donos de escola de dança sobre a dificuldade cada vez maior de captar alunos, e principalmente mante-los. Culpam sempre vários aspectos. Digo a eles que nunca tive e nem tenho dificuldade de fazer crescer minhas turmas, só preciso de regularidade e de um ambiente que me dê suporte para uma convivência feliz..

Mostro o quanto o boca a boca é o grande diferencial, uma escola enche a partir de seus próprios alunos, apaixonados e divulgadores incessantes da alegria que colocam em suas vidas ao encontrar a dança e a sua escola. Nada é mais eficaz que isso. Essa satisfação é resultado que uma séries de ações que juntas farão a mutiplicação acontecer. Por isso listei alguns pontos que considero importantes para fazermos uma reflexão e juntos ou separados agirmos na direção de conseguir um aumento de alunos e de oportunidades que possa vislumbrar um futuro promissor para o movimento geral da dança de salão.

Necessidade de observação do tempo de cada aluno, que numa média indicará o tempo de cada turma para instalação dos códigos básicos, que sendo ensinados além dos movimentos, irá determinar a relação do aluno com a música, com a dama, com a evolução, com o professor, com a dança enfim.

1977174_679926028713165_2097086150_nA importância de encontrar um ponto certo,entre dar o que o aluno busca e mostra o que ele precisa. Achando uma forma produtiva de divertir e ensinar. Aprender indica um pensamento concentrado e, as vezes, sério. Se divertir indica uma postura mais aberta e relaxada. Juntar os dois é o segredo de uma boa aula. Uma aula em que o resultado foi bom para o aluno porque ele, principalmente, se divertiu e bom para o professor porque ele sabe que seus alunos aprenderam.

A necessidade de um olhar mais antropológico do universo da dança e do mundo de uma maneira geral. Isso irá influenciar na escolhas das músicas por parte do professor, que por sua vez influencia diretamente na performance do aluno. O perfil dos alunos da dança de salão é o mais heterogeneo possível, assim como os gostos musicais, a sensibilidade em relação a música, etc. A trilha sonora da vida do aluno precisa ser enriquecida com uma inteligente seleção das músicas escolhidas para as aulas. O professor só irá conseguir isso com pesquisa. Em um computador com 3.000 músicas a tendencia é se repetir , a oferta demasiada leva a um conformismo e acomodação.

É urgente que as mulheres da turma entendam a necessidade da formação de novos parceiros, as vezes eles vão embora por que não são vistos ou ajudados pelo professor , apenas criticados e rejeitados por algumas alunas. Um investimento de tempo e afeto a este cavalheiros farão com que haja uma transformação. O professor precisa saber transformar. Tento dizer para as mulheres que não existe principe encantado, então encante o seu. Confie que seu colega pode melhorar. Muitos homens que poderiam ter se tornado bons amigos e cavalheiros saíram ou foram trocados um personal, mais jovem, mais rápido, mais pronto.

A revisão das metodologias aplicadas nas escolas. Um dos grandes problemas é a falta dela. Nesse aspecto é preciso ter cuidado,o problema das metodologias é que são frutos do intelecto e a dança vem de outros lugares da cabeça, do corpo e da alma. Então vejo como caminho para o meu saber a compreensão da natureza das coisas e não da cultura das coisas. As vezes o saber na dança é visto como executar uma sequencia de passos , pré-marcada, contada, ensaiada, que irá se repetir sempre da mesma forma, com o mesmo ritmo. Dançar é muito mais que isso. 

Os organizadores de congressos poderiam incluir em suas programações debates sobre o universo dança de salão, e aí os assuntos são de uma imensa variedade. Alguns profissionais da dança não gostam muito de falar de dança, claro preferem dançar. O debate não necessariamente precisa chegar a alguma conclusão, só ele existir leva uma reflexão, que leva, sempre, para o caminho das melhorias no rumo da evolução do meio-ambiente da nossa dança, como profissão.

Importante que os novos candidatos a professores e dançarinos ampliem mais seu gosto e fujam da armadilha de serem10272725_625649217528739_8040579877474146542_o especialistas em algum ritmo. Isso tem trazido uma mudança negativa do mundo da dança, antes nos bailes se via todas as formas de dançar num só lugar, e sempre batalhei para isso acontecer em meus bailes. Hoje temos muitos professores de um só ritmo, que promovem só um ritmo, em seus bailes e festas só toca aquele ritmo, que cria grupos que dançam aquele ritmo. percebe o quanto isso diminui a capacidade de massificação da dança como um todo.

Tambem acho necessário que os professores nunca parem de aprender, não se fechem na sua condição de professor e não consigam mais assimilar novos aprendizados e promover mudanças evolutivas na sua carreira de dançarino e professor. É muito difícil ser aluno depois de se tornar professor. Muitos começam a dar aulas muito cedo e paralisam o desenvolvimento pessoal de sua dança.

Rio de Janeiro, 10 de agosto 2014

 

Jaime Aroxa

Neville Fusco é o novo Presidente da ACADS

A Associação Catarinense de Dança de Salão – ACADS, em sua Assembléia Geral Ordinária realizada no último domingo, dia 17/8, nos termos de seu estatuto, elegeu sua nova presidência para a gestão 2014/2016.

NEVILLE MARCELO FUSCO, Presidente, e ED CHARLLES LEITE, Vice-Presidente, serão os comandantes da nossa associação pelos próximos 2 anos.

A Associação Catarinense de Dança de Salão – ACADS terá a sua frente um líder com formação profissional e atuação nas áreas de gestão, inovação e empreendedorismo. Diretor Administrativo no último ano da gestão anterior, Neville é antes de mais nada um profissional focado na gestão de resultados com um fascínio especial por desafios e que traz em sua bagagem de vida um currículo respeitável de estudos e dedicação à arte de dançar a dois, que começou a desenvolver ainda em São Paulo nos idos de 1997.

Empresário, engenheiro, professor, coreógrafo e dançarino, Neville costuma mergulhar de corpo e alma em tudo a que se propõe. Competência e conhecimento não lhe faltarão para enfrentar as dificuldades sempre com muita determinação e uma boa dose de ousadia. Qualidades que têm de sobra. Visionário, mas mantendo sempre os pés no chão, para, junto com sua equipe, realizar uma gestão que pretende não apenas “dançar conforme a música”, mas recriar esta dança tornando-a mais leve, fluida e eficiente.

Neville Marcelo vai fazer a diferença e sua trajetória frente a ACADS será pautada  pelo conhecimento, pró-atividade e profissionalismo, dando novo rumo à nossa Associação.

Conheçam um pouquinho mais sobre o nosso novo Presidente, quem é, o que pensa e quais os projetos para a sua gestão:

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  Empresário, palestrante e consultor técnico em diversas áreas da metrologia, gestão da qualidade, garantia da qualidade, estatística aplicada na gestão da qualidade e processos, o paulistano Neville chegou à Florianópolis em 2007 para cursar seu mestrado em Engenharia Mecânica na UFSC e em pouco tempo já estava também lecionando dança de salão na cidade.  Apaixonado por dança, especializado em samba de gafieira e tango, professor, bailarino e coreógrafo, equilibra com muita desenvoltura suas duas paixões, dança e engenharia.

1.  Qual o papel que a Dança representa na sua vida?

Neville: A dança é uma paixão antiga que me traz o equilibrio pessoal, hoje muito mais que um hobby é algo que faz parte da minha vida, do que sou. Gosto de dizer que sou um engenheiro com alma de dançarino. Comecei a dançar aos 17 anos e nunca vou parar.  Como amante dessa arte vou sempre tentar ajudar de alguma forma para que a nossa cultura e forma de dançar a dois possa crescer e permanecer para outras gerações. 

2. Qual a importância da ACADS para a Dança de Salão Catarinense?

Neville: A ACADS é uma associação que representa a DS no estado de SC, sendo uma instituição que une profissionais, produtores e interessados em DS no estado para discutir e buscar ações para melhorar essa cultura. A história da ACADS se confunde com a história da DS no Brasil, em especial na região SUL e estado de SC. 

Devido a todo o tabalho realizado pela ACADS durante os ultimos 14 anos podemos afirmar que SC representa um polo de DS e tem seus profissionais espalhados pelo Brasil e pelo mundo.  

3. O que te motivou a assumir a presidência da associação?

Neville: Em primeiro lugar a paixão pela DS, embora não seja um profissional do meio sou um apaixonado pela dança, em especial pela DS e toda a cultura e história que envolve essa vertente da dança. Em segundo lugar acredito que precisamos profissionalizar a DS e valorizar essa arte que muitas vezes é vista como marginalizadas por outras vertentes da dança, e como um empreendedor e gestor por profissão acho que posso ajudar a buscar um olhar mais profissional para a ACADS e auxiliar na busca por novas fronteiras para as ações realizadas pela ACADS em todo o estado. 

4. Quais são as metas e os  projetos para a sua gestão?

Neville: Como principais metas e projetos para a gestão 2014/2016 acredito que devemos atuar nos seguintes tópicos:

 – expandir as parcerias e ações ACADS fora da capital. 

–  valorizar o profissional do estado de SC

–  melhorar benefícios aos associados

–  realizar o BF 2015 

–  resolver problemas relacionados a projetos culturais e administrativos. 

Caminhamos, certamente,  para um novo tempo! Estão de parabéns os associados da ACADS pelo sopro novo e cheio de energia que vai  impulsionar os destinos da nossa Associação.